Foto: Parque da cidade, em Belém.
No Brasil, anos eleitorais costumam ser marcados por expansão dos gastos públicos. No âmbito federal, o programa Minha Casa, Minha Vida é uma das rubricas a ampliar esse movimento. Para 2026, a meta e a dotação orçamentária do programa foram ampliadas em relação ao ano anterior. A expectativa é a contratação de 1,1 milhão de unidades com o FGTS destinando aproximadamente R$ 144,5 bilhões em 2026 (montante 5,6% maior em relação à 2025), segundo a Secretaria de Comunicação Social do governo. Sob essas premissas, a expectativa de curto prazo é positiva, com um choque favorável sobre o segmento que negocia imóveis de até R$ 500 mil.
Embora a incerteza eleitoral possa ser reduzida via política pública, a atuação é de curto prazo. Persistem, nos modelos mentais e econômicos das empresas e das famílias, incertezas quanto à continuidade do programa, ao volume de recursos direcionados e aos riscos de contingenciamento no pós-eleição, fatores que podem alterar a viabilidade econômica tanto dos projetos quanto do consumo. No segmento de padrão médio (imóveis de até R$ 2 milhões), a incerteza relacionada à permanência do governo incumbente e às medidas que poderão ser adotadas no pós-eleição para corrigir os efeitos da expansão da dívida pública impõe maior cautela. As construtoras e incorporadoras desse mercado não contam com subsídios e dependem de crédito oneroso, em um ambiente de juros ainda elevados.
Diante de expectativas pouco favoráveis para o ambiente de negócios, espera-se que as empresas mantenham os pedidos de licenciamento, o número de lançamento e o total de unidades ainda mais reduzidos. Do lado da demanda, as famílias de classe média também carecem de fundamentos que sustentem expectativas positivas. Mesmo o consenso do mercado em torno de uma futura redução da Selic não é suficiente, seja pela incerteza quanto ao momento do corte, seja pelo tempo necessário para que seus efeitos atuem na economia. A expectativa no segmento de alto padrão responderá em menor intensidade à influência da incerteza eleitoral, ao menos nesta eleição. Esse é um segmento em que a produção é viabilizada via crédito imobiliário do mercado bancário ou de capitais e a demanda apresenta baixa dependência de financiamento, predominando compras à vista ou de baixa alavancagem.
Nesse nicho, o principal choque negativo viria pela competição entre ativos imobiliários e financeiros. Ainda assim, a trajetória ascendente da Selic desde meados de 2024 não foi suficiente para conter o avanço do segmento. Esses números, somados à demanda reprimida desse público-alvo, sustentam a expectativa de que a incerteza eleitoral não comprometerá o desempenho do alto padrão.
Portanto, se perguntado sobre o que esperar do mercado imobiliário em 2026, a resposta depende do segmento de mercado analisado. No curtíssimo prazo, o mercado de baixo padrão deve seguir beneficiado pela política pública, enquanto o alto padrão tende a manter sua trajetória de expansão, apoiada na escassez histórica da oferta de tipologias maiores e bem localizadas e na demanda reprimida. Já o segmento de padrão médio deve continuar sendo o mais penalizado, pressionado simultaneamente pela incerteza eleitoral e pelo patamar ainda elevado da taxa de juros.
Fonte: https://portas.com.br/noticias/analise-opiniao/eleicao-2026-o-que-esperar-do-mercado-imobiliario
Publicado: 22/01/2026